A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira sinaliza perda de tração para duas medidas centrais na estratégia econômica do governo: o programa Desenrola 2.0 e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Ambas vinham sendo apresentadas como instrumentos para melhorar a popularidade do presidente até as eleições de 2026, mas os números mostram redução no efeito percebido pelos eleitores e dificuldade em transformar ações em ganho eleitoral amplo.

No caso do Desenrola, a avaliação pública oscila. Em junho, 50% consideravam a iniciativa uma boa ideia; o índice subiu para 55% em julho e recuou agora para 47%. O grupo que vê o programa como algo que ajuda apenas um pouco avançou de 20% para 25%, enquanto 23% passaram a considerar a proposta uma má ideia (eram 21% no mês anterior). Sobre o endividamento, 47% dizem ter poucas dívidas, 31% afirmam não ter dívidas e 22% declaram muitas dívidas. Além disso, 88% relatam que o Desenrola não beneficiou suas famílias; só 10% dizem ter sido atendidos pela renegociação.

A isenção do IR para quem ganha até R$5 mil também apresenta sinais de saturação. Entre fevereiro e julho vinha crescendo a parcela que relatava aumento significativo de renda por conta da medida (de 15% para 24%); agora esse grupo cai para 21%. Simultaneamente, a fatia que diz não ter percebido diferença avanço de 39% para 46%, enquanto 32% afirmam ter ganho, mas de forma modesta. A consulta mediu ainda o 'affordability': 33% entendem que a renda aumentou na mesma medida do custo de vida, 32% dizem que não houve aumento, 23% viram aumento menor que a inflação pessoal e apenas 10% registraram aumento real superior ao custo de vida.

Os números têm implicações claras para a agenda política e econômica do Planalto. Medidas focalizadas que não se traduzem em avanço palpável da renda ou em alívio percebido sobre dívidas deixam o governo com menos espaço para capital político, especialmente em ano pré-eleitoral. A pesquisa tende a acender alerta sobre a necessidade de ajustar comunicação, ampliar alcance das ações ou entregar resultados mais visíveis — caso contrário, a aposta em programas como Desenrola e na isenção do IR corre o risco de não reverter desgaste. O levantamento entrevistou 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto, por via presencial; margem de erro de 2 pontos percentuais. Registro no TSE: BR-06591/2026; contratado pelo Banco Genial.