O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), calculado pela CNI, registrou em abril o maior contingente de setores em situação de pessimismo desde junho de 2020. Segundo a Confederação, 28 dos 29 segmentos acompanhados mostraram falta de confiança, número que confirma a continuidade de um movimento de queda iniciado nos meses anteriores.

A evolução é clara: em fevereiro 21 segmentos já apontavam falta de confiança; em março esse total subiu para 23 e, em abril, chegou a 28. No recorte regional, apenas o Centro‑Oeste teve variação positiva marginal (+0,3 ponto). As maiores retrações ocorreram no Nordeste (-3,4 pontos), seguido pelo Norte (-2,9), Sul (-1,7) e Sudeste (-0,3). Com isso, o ICEI do Nordeste caiu abaixo de 50 pela primeira vez desde julho de 2020, e todas as regiões do país passaram a registrar falta de confiança.

A disseminação do pessimismo entre diferentes portes e regiões acende alerta sobre o comportamento do investimento industrial e da produção no curto prazo. Menor confiança tende a frear decisões de ampliação de capacidade, adiar contratações e reduzir compras de insumos — efeitos que podem se traduzir em desaceleração do emprego industrial e em impacto sobre cadeias produtivas no resto da economia. Para o governo, o quadro complica a narrativa de recuperação e exige medidas concretas para restaurar previsibilidade e estimular demanda.

Há, entretanto, exceções setoriais: o segmento de farmoquímicos e farmacêuticos ficou em zona positiva, com 52 pontos, mas isoladamente não basta para reverter o tom generalizado. A CNI destaca que a piora se refletiu nos diferentes portes de empresa, aprofundando um quadro já delicado. A recuperação exigirá sinais claros de estímulo ao investimento e estabilidade macroeconômica que devolvam confiança aos empresários.