A Petrobras renovou metade de seu conselho de administração em assembleia que confirmou Guilherme Mello, então secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, como novo presidente do colegiado. Mello substitui Bruno Moretti, que deixou o cargo para assumir a chefia do Planejamento. A União preservou seis das 11 cadeiras, os minoritários ficaram com quatro assentos, e Rosângela Buzanelli teve o nome confirmado na vaga eleita pelos empregados. O mandato do conselho vai até 2028.
A eleição ocorre em clima sensível: nos últimos dias a estatal esteve no centro de críticas do presidente da República e adotou medidas como a demissão de um diretor e a devolução de parte do ágio em leilão de GLP. O episódio expõe a tensão entre a gestão corporativa e a pressão política por contenção de preços dos derivados, num momento em que a alta do petróleo no mercado internacional beneficia as vendas de óleo bruto, mas transfere volatilidade para a política de preços internos.
Na assembleia também foram aprovadas as contas do ano anterior e a proposta orçamentária para 2026: investimentos de R$ 114 bilhões, com R$ 83,6 bilhões destinados à Exploração & Produção, R$ 19,9 bilhões para Refino, Transporte e Comercialização, R$ 7,5 bilhões para Gás e Energias de Baixo Carbono e R$ 3 bilhões para o Corporativo. A proposta de distribuição de dividendos relativa a 2025 (pagamento de juros sobre capital próprio) teve aprovação expressiva entre as ações ordinárias em circulação, assim como as contas, embora tenha registrado abstenções relevantes.
O resultado da assembleia deixa sinais políticos e institucionais claros: a presença do secretário do Planejamento na presidência do conselho reforça a influência do governo nas decisões estratégicas da companhia e acende alerta sobre a necessidade de preservar autonomia gerencial frente a demandas públicas por preços mais controlados. A priorização de E&P no capex mostra aposta na expansão de produção, mas aumenta a exposição da Petrobras à volatilidade externa — um desafio para governança e para a estabilidade das políticas de preços, com impactos diretos na economia e no bolso do consumidor.