A Petrobras informou ao Ibama que espera gastar, ao todo, pouco mais de R$ 3,3 bilhões para perfurar quatro poços na Foz do Amazonas, bloco da Margem Equatorial. O montante foi apresentado após questionamento do órgão ambiental, que inicialmente cobrou uma compensação de R$ 39,6 milhões para o poço pioneiro Morpho, onde a estatal confirmou a presença de petróleo.
No documento obtido pela imprensa, a companhia explica que o valor agregado considera descontos relacionados a garantias e apólices, prêmios de seguros, além de custos com licenciamento e com planos, programas e projetos ambientais associados a cada perfuração. O Ibama, por sua vez, afirmou que já havia recebido pagamentos em milhões em momento anterior, mas que a inclusão de novos poços exigiu retificação de licença e novo cálculo da compensação, elevando o montante informado.
A Petrobras busca autorização para perfurar, além do poço Morpho, os poços Manga, Crotalus e a Extensão de Morpho. O instituto ambiental ainda aguarda documentação complementar da estatal e não há prazo definido para liberação das novas explorações. Na entrevista à CNN, a presidente da petroleira, Magda Chambriard, disse ser necessário perfurar Morpho até sua base — e avançar nos demais poços — para confirmar a volumetria real do campo.
A nova cifra intensifica a atenção sobre a viabilidade econômica do projeto e sobre o ritmo de execução: um custo ambiental e operacional dessa natureza pode atrasar entrada de fluxos de caixa e expor a operação a mais escrutínio público e regulatório. Em termos políticos e institucionais, o impasse reforça a necessidade de documentação robusta e diálogo com o Ibama para evitar decisões que, na prática, posterguem a comprovação das reservas e a eventual exploração comercial.