Brasília, DF — A Petrobras estuda elevar sua capacidade de produção de diesel para cerca de 1,25 milhão de barris por dia até 2031, frente aos aproximadamente 700 mil bpd atuais, informou o diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, William França. O avanço, de quase 80%, integra as avaliações para o novo plano de negócios e é apresentado pela estatal como o montante necessário para atingir autossuficiência, considerando projeções de demanda e oferta ao longo da próxima década.

Hoje a petroleira atende cerca de 70% da demanda doméstica; o restante é suprido por refinarias privadas e importações. No plano vigente, a companhia prevê alcançar 970 mil bpd em 2030, e França disse que o ciclo 2026/30 projetaria 85% da demanda, com o horizonte 2027/31 apontando 100%. A perspectiva de chegar a 1,25 milhão bpd coloca decisões importantes sobre investimentos em refino, logística, capacidade de armazenagem e contratos de fornecimento.

Do ponto de vista político e econômico, a expansão pode reduzir a dependência de importações e aliviar pressões pontuais sobre oferta e preços, mas também impõe custo financeiro e operacional que exigirá justificativas técnicas e transparência. A proposta tende a abrir debate entre governo, Congresso e reguladores sobre política de preços da estatal, participação do setor privado e o balanço entre segurança energética e disciplina fiscal.

O projeto ainda está em estudo e deverá ser detalhado no novo plano de negócios. Para mercado e opinião pública, os pontos a acompanhar são a magnitude do investimento necessário, os prazos de implementação, eventuais parcerias com refinarias privadas e como a empresa conciliará o aumento de capacidade com metas de eficiência, retorno aos acionistas e responsabilidade fiscal.