A Petrobras informou nesta segunda-feira que reduzirá em 14,2% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir de junho — queda equivalente a R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior. Em comunicado, a estatal atribuiu o ajuste à "atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais" provocada pelas tensões no Oriente Médio. Os reajustes do QAV ocorrem no começo de cada mês, conforme previsto em contratos.
Apesar do alívio pontual, o efeito é parcial: no acumulado do ano os preços do QAV subiram 54,5%, o que representa um aumento de R$ 1,98 por litro na comparação com o preço vigente em dezembro de 2025. Ou seja, a retração de junho devolve apenas parte das altas recentes e não neutraliza o impacto já sofrido pelas companhias aéreas e pela cadeia logística.
Do ponto de vista econômico, a redução tende a diminuir o custo operacional das empresas aéreas e pode criar espaço para moderação de tarifas no médio prazo, mas o repasse ao consumidor não é automático e depende de contratos e da competição no setor. Para a economia em geral, o efeito direto sobre a inflação costuma ser limitado — o QAV pesa pouco no índice de preços —, embora reduções de custo no transporte aéreo e de carga tenham repercussões setoriais relevantes.
Politicamente e institucionalmente, a oscilação exposta pela Petrobras reforça a dependência dos combustíveis de variações internacionais e levanta questionamentos sobre a necessidade de mecanismos que reduzam volatilidade para setores sensíveis. Enquanto a estatal segue a regra de ajustes mensais, governo, reguladores e empresas do setor aéreo acompanharão a evolução das cotações internacionais para avaliar se a tendência de queda se confirma e qual será o grau de alívio efetivo para tarifas e custos.