Os preços do petróleo registraram alta moderada nesta quinta-feira, mas continuaram abaixo da marca psicológica de US$ 100 por barril, em meio a sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Por volta do meio da manhã, o Brent operava perto de US$ 97, enquanto o WTI avançava a aproximadamente US$ 93 — níveis que refletem alívio, não tranquilidade plena.
O alívio se estendeu aos mercados acionários: indicadores americanos fecharam em máximas históricas na véspera, e o Ibovespa se aproximou dos 200 mil pontos, numa leitura de que investidores apostam numa desaceleração do risco geopolítico. Estrategistas do mercado ressaltam que, para os fluxos financeiros, importa menos o roteiro exato das negociações do que a percepção de que o conflito pode estar se encaminhando para um recuo.
A Casa Branca manifestou otimismo sobre a possibilidade de continuarem tratativas com Teerã — inclusive com menção a uma provável nova rodada de conversas em país terceiro — e sinais diplomáticos adicionais foram divulgados por interlocutores regionais. Ainda assim, o Irã manteve advertências sobre a possibilidade de interromper a navegação no Mar Vermelho caso endurecimentos bloqueiem seus portos, em um cenário que preserva um canal de risco para o combustível global.
Do ponto de vista econômico, o quadro indica que o mercado absorveu parte da notícia, mas não eliminou a exposição a choques. A persistência de ameaças a rotas marítimas essenciais pode reapertar os preços do petróleo e, por tabela, pressionar custos de transporte e combustíveis, com efeito sobre a inflação e sobre orçamentos empresariais e públicos. Em suma: o recuo dos preços é bem‑vindo, mas depende de desdobramentos diplomáticos concretos — e a economia segue sujeita a surpresas vindas do tabuleiro geopolítico.