Os contratos futuros do petróleo encerraram a semana com ganhos expressivos após novos episódios de ataques no Golfo Pérsico, que elevaram o risco de interrupção nos fluxos da região. O WTI para outubro fechou em US$ 91,48 o barril, alta de US$ 0,18 (0,2%), enquanto o Brent para novembro avançou US$ 0,76 (0,8%), a US$ 96,28. No acumulado da semana, os saltos foram de 9,7% e 9,3%, respectivamente — os maiores desde meados de julho.

Analistas apontam que o mercado entrou em uma fase delicada: estoques elevados inicialmente amorteceram o choque de oferta, mas a sustentação do equilíbrio dependerá da velocidade com que essas reservas serão consumidas. Essa dinâmica confere mais volatilidade a um ciclo já afetado por tensões geopolíticas, sanções e realinhamentos de parcerias energéticas.

Do lado geopolítico, o pacote de sanções do Tesouro dos EUA a empresas turcas supostamente ligadas ao Irã, as movimentações diplomáticas envolvendo EUA, Rússia e Ucrânia, e a ofensiva chinesa por cooperação energética com Moscou ampliam as incógnitas sobre oferta e logística. No mercado americano, o preço médio do diesel atingiu recorde a US$ 5,85 por galão — sinal direto de repasse para fretes e entregas.

Para economias e empresas, a alta traduz-se em custos de transporte mais elevados, sobretaxas em entregas e pressão adicional sobre o preço de alimentos e bens sensíveis ao frete. Em termos macro, o movimento complica a transição para uma trajetória sustentada de queda da inflação e exige atenção de autoridades fiscais e monetárias: reagir a uma escalada de preços do petróleo pode demandar ajustes que têm custo político e econômico.