Os contratos futuros do petróleo abriram em forte queda neste domingo após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã que prevê, entre outras medidas, a reabertura do Estreito de Ormuz. Às 20h20, o Brent para agosto caía cerca de 3,96%, negociado a US$ 83,86 por barril, e o WTI para julho apresentava recuo de 4,48%, cotado a US$ 81,09, sinalizando uma rápida recomposição do otimismo já observado nos mercados na última semana.
A reação acompanha publicações do presidente norte-americano nas redes sociais informando a conclusão das negociações e a retirada imediata de bloqueios navais, além da previsão formal de reabertura do estreito na sexta-feira, 19 de junho. Autoridades iranianas e meios de comunicação do país também deram sinais de consenso sobre um acordo provisório, com menção a coordenação regional — inclusive com Omã — para regular o tráfego marítimo. O primeiro-ministro do Paquistão confirmou a expectativa de assinatura na Suíça na próxima sexta.
Para os mercados, a perspectiva de menor risco geopolítico reduz o chamado prêmio por insegurança no fornecimento, pressionando os preços para baixo. Esse ajuste tem impactos distintos: beneficia economias importadoras ao aliviar custos de energia e atenuar pressões inflacionárias, mas pode reduzir receitas de exportadores e criar tensão em orçamentos dependentes de petróleo. No caso do Brasil, o efeito final dependerá da taxa de câmbio, da política de preços das empresas nacionais e de como reagirão produtores e cartelizações de oferta.
Analistas lembram que se trata de um retrato momentâneo: a volatilidade pode persistir até que o acordo seja formalizado e implementado na prática, com remoção de minas e normalização do tráfego. Para autoridades econômicas e fiscais, a queda de preços abre margem de alívio para inflação e combustíveis, mas também impõe prudência na projeção de receitas e na gestão de investimentos do setor energético.