Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta quinta-feira depois que relatos apontaram que os Estados Unidos cogitavam retomar operações de escolta a navios comerciais pelo Estreito de Ormuz já nesta semana. O Brent recuou 1,20%, a US$ 100,06 por barril, e o WTI caiu 0,28%, para US$ 94,81 — embora em momentos do pregão ambos tenham chegado a recuar até cerca de US$ 5 por barril diante do otimismo com um possível acordo entre Washington e Teerã.

O alívio inicial no mercado decorreu da perspectiva de um acordo limitado e temporário que interromperia combates, segundo fontes citadas pela imprensa. Em paralelo, o Wall Street Journal relatou que Arábia Saudita e Kuwait suspenderam restrições ao uso de seu espaço aéreo e de bases pelos militares norte‑americanos, e que o governo dos EUA buscava reiniciar o chamado "Projeto Liberdade" para escoltar embarcações. A reação dos preços, porém, foi mitigada depois que a agência iraniana Fars noticiou sons semelhantes a explosões perto de Bandar Abbas, o que trouxe parte da aversão ao risco de volta aos mercados.

Analistas reforçam que o quadro segue frágil. Ole Hvalbye, da SEB Research, afirmou que um acordo confirmado poderia levar rapidamente o Brent para a faixa de US$ 80 a US$ 90; por outro lado, a ruptura das negociações ou um retorno de ataques em maior escala elevam o risco de novo salto dos preços para acima de US$ 120 por barril. Para a economia brasileira, essa oscilação importa: preços mais baixos tendem a aliviar pressões inflacionárias e reduzir o custo de combustíveis no varejo, enquanto uma reviravolta elevaria a conta para consumidores e governo.

No curto prazo, mercados e formuladores de política devem acompanhar dois vetores: a confirmação de qualquer estrutura de acordo entre EUA e Irã e a evolução das operações militares e de escolta no Estreito de Ormuz. Para Brasília, a principal consequência prática será a sensibilidade do ambiente de preços e a necessidade de ajustar respostas fiscais e monetárias se a volatilidade retornar — cenário que pode complicar programas públicos e a estratégia de política econômica do governo.