Os preços do petróleo voltaram a cair no início da semana depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter suspendido um ataque contra o Irã e que as negociações entre as partes serão retomadas. Na noite de domingo, os contratos futuros do Brent para outubro recuavam cerca de 4,15%, a US$ 83,76 o barril, enquanto o WTI caía 4,1%, a US$ 80,59. O movimento devolve parte das altas acumuladas na semana passada, quando o Brent subiu mais de 20% no mês em reação ao aumento das tensões.

Segundo a versão oficial divulgada por Trump, aliados regionais — entre eles Arábia Saudita, Emirados e Catar — teriam pedido a suspensão do ataque. A explicação foi suficiente para reduzir o prêmio por risco geopolítico que vinha pressionando as cotações, mas fontes e mídias estatais do Irã ofereceram narrativas divergentes sobre o episódio, preservando um grau de incerteza.

Para a economia, a reversão das elevações recentes do petróleo tem efeitos concretos. Menores preços internacionais atuam como alívio temporário sobre a inflação e sobre a formação de expectativas, diminuindo a pressão sobre o câmbio e sobre custos de energia. Em países emergentes, essa dinâmica tende a reduzir volatilidade e a aliviar parte da necessidade de intervenção das autoridades em políticas fiscal e monetária — ainda que o alívio seja sensível à persistência do desarmamento das hostilidades.

Analistas advertem, porém, que o mercado permanece vulnerável a novas escaladas: a negociação anunciada por Trump lança um sinal positivo, mas não encerra definitivamente as incertezas políticas. O preço do petróleo seguirá muito atrelado ao desenrolar das conversas, à postura de aliados regionais e a qualquer nova escalada nas declarações ou ações militares.