Os preços do petróleo fecharam em forte recuo nesta sexta-feira (26), refletindo uma mudança brusca no humor dos mercados sobre o risco de oferta. O Brent encerrou a sessão a US$ 71,99 o barril, queda de US$ 3,27 (4,34%), enquanto o WTI caiu US$ 2,69 (3,74%), para US$ 69,23. No acumulado da semana, o Brent registra perda de 10,86% e o WTI, de 9,62%.

O movimento foi motivado pela retirada de navios do Estreito de Ormuz e pelo alívio das apreensões sobre interrupções no tráfego de petróleo, um dia após um ataque a um navio de carga nas proximidades de Omã. Analistas do mercado passaram a interpretar os sinais como indicativo de oferta suficiente para atender a demanda no curto prazo.

A leitura predominante entre operadores é de que os fluxos voltarão a aumentar, especialmente com a Saudi Aramco retomando carregamentos em Ras Tanura após quase quatro meses de paralisação. Dados de embarque mostraram dois superpetroleiros (VLCCs) carregando no terminal e outro aguardando, o que alimentou uma onda de vendas no mercado à vista.

O cenário de excesso de oferta iminente carrega consequências claras: pressão sobre receitas de países exportadores e produtores que vinham contando com preços mais elevados, e, do outro lado, potencial alívio sobre custos de energia e pressões inflacionárias para países importadores. A recuperação da demanda chinesa, porém, ainda não se concretizou, o que limita a força de qualquer reação altista.

Para investidores e governos, a queda coloca em evidência a vulnerabilidade das estratégias baseadas em preços elevados e a necessidade de monitoramento das dinâmicas de oferta, estoques e demanda global. No curto prazo, a sinalização é de mais volatilidade, com impacto direto nas contas fiscais de economias dependentes do petróleo e no comportamento das commodities em bolsas internacionais.