O petróleo viveu semana de alta volatilidade: embora tenha encerrado a sexta-feira (7) em alta — com o WTI para setembro subindo 1,15% a US$ 78,18 por barril e o Brent para outubro avançando 1,29% a US$ 83,55 — a leitura semanal foi de queda expressiva. O WTI acumulou perda de 7,6% e o Brent caiu 4,98%, reflexo do otimismo do mercado com a possibilidade de um acordo que permita a reabertura e organização do tráfego no Estreito de Ormuz.
A dinâmica geopolítica seguiu como fator central: negociações entre EUA e Irã perderam ritmo na reta final da semana, enquanto ataques dos houthis e confrontos na fronteira do Iêmen mantiveram o risco latente. Dados da Kpler apontaram recuo de 33% no tráfego pelo Estreito de Ormuz em relação ao dia anterior, com aumento da atividade em Bab el-Mandeb em 18%, para 26 travessias confirmadas — sinais de redirecionamento e adaptação logística no curto prazo.
Analistas de mercado destacam que o recuo dos preços contrasta com uma vulnerabilidade estrutural: o principal amortecedor tem sido os estoques globais, que, segundo a Baringa, estão no menor nível em uma década. A Bloomberg também relata recuperação nas importações chinesas após um período de baixa, o que complica a previsão de oferta e demanda. Ou seja: a acomodação de preços pode ser temporária enquanto a almofada de estoques se dissipa.
Do ponto de vista econômico e político, a oscilação pesa sobre a inflação de combustíveis e a margem das refinarias, e expõe a fragilidade de uma reação de mercado que conta com um único desfecho diplomático para reduzir o prêmio de risco. A aparente melhora semanal não elimina a possibilidade de novas altas se o diálogo sobre Ormuz fracassar ou se surtos de violência regional aumentarem — cenário que manterá operadores e formuladores de política atentos.