O petróleo disparou nos primeiros negócios da semana após o fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Irã e o anúncio da Casa Branca de que pretende bloquear completamente o Estreito de Ormuz a partir das 11h de segunda-feira (13). Nos mercados asiáticos, o WTI subiu 7,90%, para US$ 104,20 o barril, enquanto o Brent avançou 7,35%, a US$ 102,20 — um movimento que devolve o preço ao patamar de US$ 100 e reflete nervosismo sobre oferta.
O estreito, ainda que já restringido por ações iranianas, não estava tecnicamente fechado: Teerã vinha permitindo a passagem de alguns petroleiros mediante pedágio de até US$ 2 milhões por embarcação e mantendo saída do próprio petróleo. Fechar a rota seria, nas palavras de analistas, uma medida para cortar fontes de financiamento do governo e das operações militares iranianas, mas com efeito colateral claro sobre o abastecimento global.
Dados do governo americano mostram que, no primeiro semestre de 2025, 37% do petróleo que passou pelo Estreito teve como destino a China; outros 14% foram para a Índia, 12% para o Japão e 12% para a Coreia do Sul. A concentração de fluxo em algumas rotas e compradores torna a região um ponto sensível: qualquer interrupção temporária amplia a volatilidade e penaliza importadores e cadeias industriais dependentes do combustível.
Para economias importadoras como a brasileira, a escalada de preços tende a pressionar a inflação e elevar os custos de transporte e produção, com efeitos potenciais sobre a conta fiscal e decisões de política monetária. No plano geopolítico e financeiro, a medida eleva o custo do risco e pode obrigar governos e empresas a ajustar estoques, contratos e estratégias de hedge. Em suma: o choque não é apenas de mercado, é também político e institucional — e impõe uma leitura pragmática e preventiva por parte das autoridades.