Os preços do petróleo dispararam nesta quinta-feira: o Brent, referência global, subiu mais de 12% e chegou a cerca de US$ 126 por barril, enquanto o WTI, referência dos EUA, avançou acima de US$ 110, com alta superior a 3%. O movimento foi impulsionado pelo fracasso nas negociações entre EUA e Irã e pela possibilidade de prolongamento do bloqueio naval a portos iranianos.
O tráfego pelo Estreito de Ormuz — rota vital para embarques de petróleo e gás — foi praticamente interrompido desde o início do conflito, em um episódio que a Agência Internacional de Energia descreveu como a maior interrupção de fornecimento já registrada. Com o vencimento do contrato de Brent para junho, volumes migraram para julho, elevando a volatilidade do mercado.
As consequências já aparecem no bolso do consumidor e nas cadeias produtivas: a média do preço da gasolina nos EUA alcançou cerca de US$ 4,23 por galão, segundo a AAA, e as cotações de energia subiram mais de 27% desde o choque inicial. Para governos e bancos centrais, a escalada dos combustíveis reacende riscos inflacionários e complica agendas fiscais e monetárias em um cenário global ainda frágil.
Politicamente, a perspectiva de manter o bloqueio naval amplia a incerteza geopolítica e tende a prolongar os efeitos sobre o abastecimento mundial. Mercados e governos terão de se preparar para nova fase de volatilidade, que pode exigir respostas de curto prazo — desde uso de reservas estratégicas até medidas tributárias ou subsídios — elevando o custo econômico para empresas e consumidores.