O petróleo encerrou a sessão em forte alta nesta sexta-feira, após nova escalada de tensões no Oriente Médio. O WTI para setembro fechou em US$ 81,78 por barril, alta de 4,47%, e o Brent para setembro subiu 4,59%, a US$ 88,10. Na semana, o WTI acumulou avanço de 14,5% e o Brent, de 15,9%, à medida que o Estreito de Ormuz segue interrompido e relatos de ataques se multiplicam.

O governo do Kuwait acusou o Irã de bombardear uma estação de geração de energia e dessalinização, causando incêndio e danos às instalações. Na contraposição, o Comando Central dos EUA informou ter destruído uma torre de vigilância marítima ligada à Guarda Revolucionária iraniana. A Guarda Revolucionária advertiu que, enquanto ataques contra alvos iranianos persistirem, não haverá exportação de petróleo e gás da região. Relatos também indicam movimentação logística militar nesta fase.

Consultorias e analistas já sinalizam que a escalada complica a normalização dos fluxos: para a Capital Economics, os eventos aumentam de forma significativa a probabilidade de um cenário com restrições prolongadas. No campo doméstico, o choque de oferta internacional tende a se traduzir em pressão sobre os preços dos combustíveis, contribuir para a inflação e afetar a conta corrente, além de impor dilemas fiscais caso o governo opte por subsídios para conter o repasse aos consumidores.

A combinação de alta volatilidade e risco persistente na região acende alerta para a política econômica: pressiona metas de inflação, aumenta o custo político de medidas impopulares e complica a calibragem de preços administrados por empresas estatais. Mercados e governo acompanharão de perto os desdobramentos, com potencial de novos surtos de preço enquanto a incerteza geopolítica não for dissipada.