O petróleo encerrou a sessão em alta nesta quarta-feira, com o WTI para outubro cotado a US$ 84,39 (alta de 0,39%) e o Brent a US$ 91,62 (alta de 0,66%). O movimento confirma que, apesar de sinais de oferta adicionais, o mercado continua penalizando o risco geopolítico associado ao Estreito de Ormuz — passagem estratégica para exportações que voltou ao centro das atenções após declarações e medidas de autoridades.

No front político, o presidente dos EUA disse que negociações com o Irã podem ser retomadas “em algum momento”, mas não agora, e afirmou que os EUA controlam Ormuz; a fala incluiu sugestões controversas sobre a posição norte-americana na região e suscitou respostas irônicas do consulado iraniano. Reportagens também registraram pedido do presidente do Parlamento iraquiano por um “status especial” para exportações via Estreito. Paralelamente, ações diplomáticas e comerciais — da expulsão de diplomatas à suspensão de transações por parte de atores regionais — reforçam o prêmio de risco cobrado pelo mercado.

Os dados do Departamento de Energia dos EUA mostraram um aumento inesperado nos estoques de petróleo e na produção, com alta também nas reservas de gasolina e queda em destilados. Mesmo assim, as cotações seguiram firmes: a leitura sugere que notícias de oferta têm sido ofuscadas pelas incertezas políticas. O recuo do dólar e intervenções do Tesouro para segurar a alta das taxas longas também deram suporte às commodities, mantendo um ambiente favorável a preços mais elevados.

Para a economia brasileira, a continuidade dessa volatilidade importa. Preços mais altos do petróleo elevam custos de combustíveis e podem pressionar a inflação, os gastos com subsídios e a conta externa, exigindo atenção do governo na gestão fiscal e do Banco Central na condução monetária. Em curto prazo, o cenário pede monitoramento permanente das rotas de oferta e de sinais diplomáticos, porque a desaceleração da escalada depende mais de desanuviar político do que de fundamentos de estoque.