O petróleo fechou sem direção clara nesta quarta-feira (5). Na Nymex, o WTI para setembro recuou 0,73%, a US$ 75,22 o barril; em Londres, o Brent para outubro avançou 0,11%, a US$ 79,45. Apesar de movimentos díspares no pregão, os contratos acumulam cerca de 10% de queda na semana, refletindo elevada volatilidade.

O quadro geopolítico manteve-se ambíguo. Fontes noticiaram que Irã e Omã finalizaram um rascunho para reabrir o Estreito de Ormuz — aguardando, segundo relatos, a aprovação do aiatolá Mojtaba Khamenei —, mas ataques de houthis no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, que atingiram ao menos um navio-tanque saudita ('Daisy') e outra embarcação, mantiveram o risco de oferta no radar.

A diplomacia caminhou em duas frentes: o presidente Donald Trump advertiu que o Irã terá de aceitar um acordo ou será atingido 'de maneira muito dura', e, ao mesmo tempo, os EUA removeram sanções de empresas iraquianas ligadas à IRGC — sinais mistos que alimentam incerteza e volatilidade nos mercados.

No front de oferta, os estoques comerciais dos EUA subiram 2,5 milhões de barris na semana passada, contrariando expectativas de queda; estoques de derivados e gasolina recuaram. Analistas da Trade Station avaliam que esse aumento dá algum alívio ao aperto e pode abrir espaço para estabilização se o tráfego em Ormuz for retomado.

O resultado é um mercado dividido: o risco geopolítico segue como fator de alta potencial, mas os números de estoque reduzem o prêmio por escassez no curto prazo. Essa combinação acende alerta para governos e agentes econômicos — no Brasil, a persistência da volatilidade externa tende a pressionar preços de combustíveis e a exigir atenção da política econômica.