Os preços do petróleo operaram com volatilidade nesta sexta-feira, na esteira do cancelamento da reunião prevista entre Estados Unidos e Irã e de sinais de trégua em outros fronts do Oriente Médio. Por volta de 11h45 (GMT), o Brent avançou de forma marginal, enquanto o WTI caiu, refletindo a oscilação entre otimismo sobre oferta e dúvidas sobre o cronograma das negociações. A retirada do vice-presidente norte-americano JD Vance do encontro na Suíça trouxe nova incerteza sobre o caminho e o timing de uma normalização.
Ao mesmo tempo, notícias de um cessar‑fogo entre Israel e o Hezbollah e a passagem de vários petroleiros — incluindo três navios sauditas com cerca de 6 milhões de barris — pelo Estreito de Ormuz favoreceram movimento de baixa. Analistas apontam que, mesmo com navios em trânsito, a recuperação plena dos fluxos pelo estreito e da produção pode levar meses, o que mantém o mercado sensível a cada novidade geopolítica.
O quadro incorpora expectativas de maior oferta: há estimativas de que um acordo poderia liberar mais de 85 milhões de barris retidos no Golfo Pérsico e incluir o levantamento de sanções ao petróleo iraniano. Bancos e casas de análise já ajustam cenários — o Citi projeta, em seu cenário-base (60% de probabilidade), que os mercados entrem em superávit e levem os preços para US$ 60–65 por barril até o primeiro trimestre de 2027; o Commerzbank rebaixou sua previsão de Brent para cerca de US$ 80 até o fim do ano. O ministro do Petróleo do Iraque afirmou que os campos estão prontos para retomar a produção gradualmente, enquanto a Opep projeta crescimento da demanda global até 2030.
Para governos e mercados, o efeito prático é duplo: maior oferta tende a aliviar pressões sobre preços e inflação global, mas também reduz receitas de países e empresas dependentes do petróleo, com implicações fiscais e orçamentárias. No curto prazo, a volatilidade persiste: investidores e formuladores de política precisam acompanhar o desenrolar das negociações e o ritmo de retorno da produção para avaliar impactos reais sobre preços, contas públicas e cadeias de energia.