Os contratos do petróleo encerraram a semana em baixa, com o WTI para outubro a US$ 83,40 por barril (-0,16% no pregão) e o Brent para novembro a US$ 88,10 (-0,47%). No acumulado da semana o WTI recuou 4,2% e o Brent 6,6%, movimento influenciado pelo impasse diplomático entre Estados Unidos e Irã e pelo tráfego irregular no Estreito de Ormuz.

Investidores avaliaram que a retórica entre Washington e Teerã — incluindo a rejeição americana a retomar termos de um acordo preliminar — e sinais de apoio a restrições navais mantêm o risco de novas interrupções. Na prática, o fluxo físico foi afetado: dados da MarineTraffic apontaram apenas sete navios atravessando Ormuz em um dia, abaixo da média recente, enquanto outro gargalo, Bab el-Mandeb, registrou 17 travessias.

Analistas destacam que a combinação de menor atividade comercial na passagem por Ormuz e a persistente incerteza diplomática alivia, por ora, a ponta compradora dos mercados, mas não elimina a volatilidade. A guerra na Ucrânia e as trocas de advertências entre Moscou e Londres acrescentam outra camada de risco geopolítico que pesa sobre a formação dos preços.

Para a economia brasileira, a queda internacional tende a reduzir pressões externas sobre combustíveis e inflação, mas o efeito prático dependerá de fatores domésticos como estoques, políticas tributárias e repasse ao consumidor. No curto prazo, o cenário permanece sujeito a choques e exige atenção de governos e agentes econômicos para variações bruscas nos preços de energia.