Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta quinta-feira, mesmo após uma máxima intradiária que superou US$126 por barril. O Brent para junho recuou cerca de 3,3%, terminando perto de US$114, enquanto o WTI, referência americana, caiu cerca de 1,7%, fechando próximo de US$105. Com o vencimento do contrato de junho, o volume migrou para julho, cujo papel já havia ultrapassado os US$113 na véspera.

A oscilação reflete o clima de risco criado pelo fracasso nas negociações presenciais entre EUA e Irã e pela possibilidade, aventada pelo presidente americano, de estender o bloqueio naval a portos iranianos. O trânsito pelo Estreito de Ormuz — rota vital para exportação de petróleo — ficou quase paralisado desde o começo da guerra, uma situação que a Agência Internacional de Energia classificou como uma perturbação sem precedentes no fornecimento.

Os efeitos já aparecem nos preços ao consumidor: a média do preço da gasolina nos EUA atingiu cerca de US$4,23 por galão, segundo a AAA, e os preços de energia subiram de forma expressiva nas últimas semanas. Para governos e bancos centrais, a alta do petróleo representa um componente adicional de pressão inflacionária que pode complicar decisões de política monetária e fiscal, além de aumentar custos para famílias e empresas.

No plano político, a possível prorrogação do bloqueio naval amplia o risco de escalada e mantém os mercados em alerta. Investidores acompanharão as próximas rodadas diplomáticas e o fluxo de navios pelo Estreito para avaliar se o prêmio de risco declina. Enquanto isso, volatilidade e prêmio de risco elevados tendem a manter preços mais altos no curto prazo, exigindo atenção de gestores públicos e privados sobre os desdobramentos econômicos.