Os contratos futuros de petróleo registraram queda acentuada após notícias de que Estados Unidos e Irã estão próximos de um memorando, mediado pelo Paquistão, para reduzir o confronto no Golfo. O Brent fechou em queda de 7,83%, a US$ 101,27 o barril, e chegou a negociar abaixo de US$ 100 durante a sessão. O WTI recuou 7,03%, para US$ 95,08 o barril. A informação sobre o possível acordo foi divulgada por uma fonte paquistanesa citada pela Reuters, que também considerou precisa a reportagem do Axios sobre o memorando.

O mercado reagiu à expectativa de redução do risco geopolítico que inflava prêmios no preço do petróleo — em especial o receio de interrupções no trânsito pelo Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o trânsito seguro será garantido com o fim das ameaças dos EUA e a adoção de novos procedimentos, enquanto a Casa Branca avaliava a proposta após suspender uma missão naval no estreito. A leitura imediata pelos operadores foi de menor probabilidade de choques de oferta no curto prazo, o que explica a forte correção.

Para a economia brasileira, o recuo internacional representa um alívio provisório. Menores preços do petróleo tendem a reduzir a pressão inflacionária sobre combustíveis e a aliviar volatilidade do câmbio, dando algum espaço de manobra ao Banco Central e ao poder executivo. Ao mesmo tempo, queda de preços também reduz receita de exportadores e pode impactar receitas de petroleiras e royalties, uma compensação que o setor público e investidores acompanham com atenção.

Do ponto de vista político e fiscal, o movimento dá fôlego momentâneo ao governo e aos mercados, mas não elimina a incerteza: a correção só se consolidará se houver confirmação do acordo e avanço concreto na estabilização da região. Em termos práticos, a queda desafoga pressões imediatas sobre preços e inflação, mas a agenda fiscal e a capacidade de enfrentar choques externos continuam dependentes da evolução real do quadro geopolítico.