Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta segunda-feira após seis sessões consecutivas de alta. Na Nymex, o WTI para outubro recuou 2,35%, a US$ 85,01 por barril; na ICE de Londres, o Brent para novembro caiu 2,3%, a US$ 90,54 por barril. A movimentação marca uma correção dos ganhos recentes, com investidores reavaliando fundamentos de curto prazo.

O recuo ocorreu mesmo diante do anúncio de novas sanções dos Estados Unidos contra cerca de 50 empresas e 30 indivíduos ligados ao regime iraniano e da operação apelidada de “Economic Outcast”. Teerã reagiu classificando as medidas como potencialmente hostis, e autoridades iranianas ameaçaram tratar apoio estrangeiro às sanções como "ato de guerra", elevando o risco político na região.

Além das sanções, o fluxo na rota do petróleo segue comprimido: a consultoria Kpler registrou menos de 20 embarcações pelo Estreito de Ormuz no fim de semana, e ataques no Mar Vermelho atribuídos a grupos ligados ao Irã mantêm preocupações logísticas. Ainda assim, analistas como os da Capital Economics apontam que o novo pacote tende a ter impacto direto limitado sobre os fluxos iranianos no curto prazo, dado o peso das exportações para a China, que historicamente ignora parte das medidas americanas.

Na prática, a combinação entre correção técnica dos mercados e expectativas de oferta relativamente resiliente explica a queda dos preços. Para a economia brasileira, o recuo dos contratos internacionais pode oferecer algum alívio à inflação de combustíveis e reduzir pressão fiscal momentânea, mas o quadro segue sujeito a reversões — um eventual escalonamento do conflito poderia reverter rapidamente o movimento e reacender a alta de preços.