Os contratos de petróleo fecharam em queda na sessão desta terça-feira, mas deixaram as mínimas depois de oscilar com notícias sobre o Oriente Médio. O WTI para julho caiu 3,4%, encerrando a US$ 88,20 o barril, enquanto o Brent para agosto recuou 2,97%, a US$ 91,45. O movimento reflete um mercado sensível a sinais contraditórios entre avanço diplomático e risco geopolítico.
Pela manhã, expectativas de progresso nas negociações entre as partes e relatos de aumento do tráfego no Estreito de Ormuz pressionaram os preços para baixo — a leitura dos investidores foi de que um afrouxamento do risco poderia reduzir o prêmio de risco geopolítico. Esse cenário, porém, foi parcialmente revertido por declarações do presidente dos EUA, que além de anunciar proximidade de acordo com o Irã voltou a ameaçar retaliar Teerã, limitando a queda da commodity.
Autoridades americanas também ponderaram sobre a velocidade de normalização do fluxo de energia. O secretário de Energia dos EUA ressaltou que o tráfego pela rota está em recuperação, mas advertiu que o retorno à normalidade pode levar meses. O Departamento de Energia manteve projeções que implicam um impacto prolongado na oferta, com a hipótese de interrupções persistindo até o terceiro trimestre de 2026.
No plano político e econômico, a combinação de volatilidade e preços ainda elevados tem efeitos concretos: pressiona custos de energia, influencia inflação e complica cenários fiscais para países dependentes de combustíveis. A União Europeia estuda adiar para janeiro um aumento no limite de preço sobre o petróleo russo, uma medida que evidencia preocupação com receitas alternativas de Moscou e demonstra como choques no Oriente Médio reverberam em decisões de coordenação internacional.