Os contratos futuros do petróleo encerraram a sexta-feira em queda, após notícias de que conversas entre Estados Unidos e Irã avançaram para uma fase técnica mais detalhada. Na ICE de Londres, o Brent para dezembro caiu 2,77%, a US$97,44 o barril; na Nymex, o WTI para novembro recuou 2,33%, a US$92,41. Na semana, as perdas chegaram a 6,19% para o Brent e 3,82% para o WTI.
O movimento foi puxado por declarações do vice-chanceler iraniano, Abbas Araghchi, sobre uma nova proposta apresentada a Washington com um prazo de sete dias para reabrir o Estreito de Ormuz e retomar negociações mais amplas. Ao mesmo tempo, relatos da Reuters indicam que Teerã não abrirá mão de posições sobre seu programa nuclear, e deixou claro que a hidrovia só será liberada quando todas as condições iranianas forem atendidas.
Outros sinais diplomáticos pesaram no mercado: interlocuções do Catar com autoridades iranianas e um comunicado dos houthis do Iêmen à União Europeia, declarando intenção de não atacar embarcações europeias no Mar Vermelho. Analistas consultados pela Kudo.com ressaltam, porém, que avanços políticos não eliminam a escassez física e que a infraestrutura energética do Oriente Médio continua vulnerável, impedindo uma liquidação mais acentuada dos preços.
No plano econômico, a queda reduz temporariamente o prêmio de risco e pode aliviar pressões sobre preços de combustíveis e inflação global, ao mesmo tempo em que afeta receitas de países exportadores. Mas o alívio é provisório: faltam sinais concretos e duradouros sobre a reabertura do Estreito, o que mantém aceso o risco de reversão e volatilidade nos próximos dias.