O preço do barril de petróleo do tipo Brent — referência para o Brasil — registra uma alta acumulada de 45% desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O barril saiu de cerca de US$ 72 antes da guerra e chegou a fechar na casa dos US$ 105 na semana passada, número que recoloca o tema combustível entre as principais preocupações do mercado e do governo.
Analistas apontam que a escalada recente decorre da persistência do conflito. Houve episódios de acomodação quando surgiram expectativas de um possível cessar‑fogo, mas as notícias não confirmaram a trégua e os preços retomaram a trajetória ascendente. Mesmo com uma leve queda pontual para um patamar ligeiramente abaixo dos US$ 100, especialistas mantêm alerta sobre a volatilidade e o potencial de novos saltos caso o cenário geopolítico se deteriore.
No Brasil, o movimento internacional abre duas frentes de tensão. Primeiro, a defasagem entre os preços domésticos praticados pela Petrobras e os valores no mercado externo — estimada em cerca de 50% no diesel e 20% na gasolina — reduz a atratividade de importações. Como o país depende de importações para suprir entre 20% e 25% do consumo de diesel, essa lógica pode provocar escassez de oferta por desinteresse dos importadores e, em seguida, repasse imediato para os preços ao consumidor.
Segundo, a situação cria um dilema político e fiscal: ajustar os preços internos para reduzir a distorção implica impacto direto na inflação e no bolso das famílias; manter a defasagem exige medidas compensatórias, com custo fiscal ou risco de problemas de abastecimento. A combinação de alta internacional e desalinhamento de preços amplia desgaste sobre a política de preços da Petrobras e pressiona o governo a apresentar uma estratégia crível de gestão de oferta e mitigação do impacto sobre a economia real.