Os contratos do petróleo dispararam nesta quarta-feira (29), com o Brent fechando a US$ 118,03 o barril, alta de 6,08%, e o WTI cotado a US$ 106,88, alta de 6,95%. O movimento ocorre à medida que o impasse entre Estados Unidos e Irã eleva a probabilidade de um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela significativa do petróleo global.

Analistas e gestores atribuem a alta à percepção de oferta mais apertada. Para Stephen Innes, sócio-gerente da SPI Asset Management, preços acima de US$ 110 refletem a circulação restringida numa artéria crítica do comércio internacional. O Deutsche Bank alertou para um risco maior de choque estagflacionário, com contratos futuros do Brent ainda próximos das máximas alcançadas em março.

A dimensão política agrava o cenário: o Wall Street Journal informou que o presidente dos EUA instruiu assessores a se prepararem para um bloqueio prolongado ao Irã, enquanto mediadores no Paquistão aguardam uma proposta revisada de Teerã, segundo fontes à CNN. No front institucional, a saída anunciada dos Emirados Árabes Unidos da OPEP pode, no médio prazo, aliviar oferta e reduzir preços, mas não apaga o risco imediato de desabastecimento.

Do ponto de vista doméstico e macroeconômico, a alta dos preços do petróleo tende a pressionar inflação e custos dos combustíveis, reduzindo espaço de manobra para políticas fiscais e monetárias. Para governo e empresas, o choque aumenta a conta fiscal ligada a subsídios e programas de compensação, e pode recompor pressões sobre preços ao consumidor se o conflito se prolongar.