Os contratos futuros do petróleo dispararam no início desta segunda-feira, com o Brent avançando cerca de 7,2% para US$102,01 por barril e o WTI subindo 7,8% para US$104,07. O salto reflete o risco imediato de restrição de oferta depois do anúncio norte-americano de medidas para bloquear o tráfego marítimo ligado a portos iranianos no Estreito de Ormuz.
A Casa Branca e o Comando Central (CENTCOM) dos EUA informaram que as forças americanas começariam a implementar um bloqueio ao tráfego que entra e sai dos portos iranianos, aplicável a embarcações de todas as nações. O próprio presidente admitiu que os preços do petróleo e da gasolina podem permanecer elevados até as eleições de meio de mandato, sinalizando que a manobra tem custo político explícito.
Do lado iraniano, os Guardas Revolucionários advertiram que qualquer aproximação militar ao Estreito seria considerada violação do cessar-fogo e teria resposta severa. Enquanto isso, dados de navegação da LSEG mostram petroleiros se afastando da rota; embora três superpetroleiros totalmente carregados tenham cruzado o estreito no fim de semana, a tendência é de cautela entre armadores.
No mercado físico, alguns tipos de crude negociam com prêmios recordes, próximos a US$150 por barril em determinados contratos, e analistas alertam para uma possível convergência entre preços físicos e futuros, o que sustentaria um patamar mais alto de preços. Especialistas também observam que a reabertura segura do Estreito, assumida como condição para um cessar‑fogo estável, mostra-se por ora insustentável.
A decisão americana amplia um custo econômico imediato — com impacto sobre combustíveis, inflação e frete global — e um custo político claro para Washington às vésperas das eleições. Para governos e mercados, o episódio reforça a necessidade de monitorar riscos logísticos à oferta, ajustar expectativas fiscais e preparar respostas para pressões inflacionárias que podem se intensificar caso a rota permaneça comprometida.