Os contratos de petróleo registraram alta neste domingo, em meio a ataques que envolveram Estados Unidos e Irã durante o fim de semana. O Brent, referência internacional, subiu 3,92%, para US$ 78,99 o barril, e o WTI, usado como parâmetro nos EUA, avançou 3,44%, alcançando US$ 73,87 por barril. O movimento interrompeu temporariamente a tendência de queda observada nas últimas semanas, mas os analistas destacam que a recuperação ainda é contida.
Para Bob McNally, fundador do Rapidan Energy Group, a alta é “bastante moderada”: o benchmark Brent havia caído desde o pico de cerca de US$ 115 em abril. Parte dessa acomodação foi atribuída às declarações do presidente Donald Trump, que defendeu a manutenção do Estreito de Ormuz aberto para evitar “uma verdadeira catástrofe econômica e financeira”, sinalizando uma postura destinada a reduzir o risco imediato no fluxo de petróleo.
No terreno diplomático e marítimo, o Irã emitiu alertas para que embarcações não usem rotas alternativas, como a navegação junto à costa de Omã, enquanto um órgão naval informou que a chamada rota sul de Omã segue aberta. O conflito de mensagens — ameaça de restrições e confirmação parcial de passagem — mantém um prêmio de risco sobre os contratos, suficiente para aumentar volatilidade mesmo sem gatilhos de oferta imediatos.
A repercussão tem caminho direto aos postos. Nos EUA, o preço médio do galão da gasolina é de cerca de US$ 3,87, segundo a Associação Automobilística Americana, valor cerca de 30% superior ao observado no início da guerra, no fim de fevereiro, e abaixo do pico de US$ 4,56 registrado no Memorial Day. Uma nova rodada de alta no petróleo tende a pressionar combustíveis, com efeitos sobre inflação de energia e custos para consumidores e empresas — um custo político e econômico que governos e agentes do mercado acompanharão de perto.