O mercado de petróleo encerrou o pregão em alta, acumulando cinco sessões consecutivas de ganhos, em reação ao endurecimento da postura dos Estados Unidos em relação ao Irã e à renovada volatilidade gerada pela guerra na Ucrânia. Na Nymex, o contrato WTI para outubro subiu 2,89%, a US$ 86,83 o barril; em Londres, o Brent avançou 2,36%, a US$ 93,78.

Autoridades americanas deixaram claro que pretendem ampliar o cerco econômico contra o regime iraniano, com o secretário do Tesouro afirmando que medidas punitivas de caráter sem precedentes estão previstas. O presidente dos EUA, que já vinha adotando tom beligerante, reforçou ameaças de sanções e chamou a iniciativa de uma ofensiva econômica — retórica que, por si só, pressiona prêmios de risco na precificação do petróleo.

Do lado iraniano, o Itamaraty local e diplomatas criticaram a iniciativa, descrevendo-a como manobra para desviar atenções de problemas domésticos americanos. Especialistas da Sucden Financial destacam que, na ausência de diálogo e com tensão no Estreito de Ormuz, o mercado incorpora um prêmio por risco à oferta que limita a capacidade dos investidores de descontar efeitos inflacionários futuros.

Além do fator Irã, a retomada de ataques russos contra regiões da Ucrânia trouxe novo componente de oferta e logística ao cenário. A combinação de sanções crescentes, incerteza sobre trânsito de embarcações no Oriente Médio e pressão militar na Europa Oriental tende a ampliar a volatilidade e a repassar custos para combustíveis e cadeia produtiva, desafiando governos e investidores a recalibrar previsões e políticas.