O preço do petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira, após o presidente dos Estados Unidos rejeitar uma proposta de paz apresentada pelo Irã, segundo relatos do mercado. O Brent chegou a subir mais de 4% no pregão e encerrou o dia cotado a cerca de US$ 105, enquanto o WTI subiu para aproximadamente US$ 92,60. O principal gatilho foi a percepção de maior risco ao fluxo de embarcações no Estreito de Ormuz, rota-chave para a saída de óleo do Oriente Médio.

No Brasil, o movimento se refletiu em ativos domésticos: o Ibovespa recuou 0,26% diante da aversão global ao risco, e o dólar apreciou 0,83%, fechando perto de R$ 5,22. A valorização das ações de petroleiras foi insuficiente para compensar a pressão sobre o índice, num dia em que a proximidade das eleições ampliou a cautela dos investidores. Analistas consultados indicam que o combo externo-interno deixou a demanda por segurança financeira mais intensa.

Para a analista Lucinda Pinto, a nova rodada de volatilidade mostra que o mercado ainda não encontrou um patamar estável para os preços da energia. A percepção dominante é de que a condição de oferta pode permanecer apertada nos próximos dias, elevando o risco de pass-through para inflação e reforçando a necessidade de atenção da política monetária. Investidores, na avaliação dela, já incorporam maior probabilidade de impacto sobre taxas de juros e custo de capital.

Do ponto de vista político e econômico, o episódio acende alerta: além de pressionar inflação e câmbio, uma escalada dos preços do petróleo tende a complicar o ambiente fiscal e a narrativa dos atores envolvidos na campanha eleitoral. Em curto prazo, a combinação de choque de oferta externo e incerteza política doméstica aumenta o prêmio de risco e exige atenção do mercado e dos formuladores de política.