Os contratos do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira (27), encerrando uma sequência de quedas em três sessões. O WTI para outubro avançou 1,58%, a US$ 83,53 por barril, enquanto o Brent para novembro subiu 1,82%, encerrando a US$ 88,52 por barril. O movimento ganhou força no início da tarde, após os mercados revisarem para cima o risco de oferta diante de fatores geopolíticos.
Analistas apontam como gatilhos o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e a falta de normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, mesmo após um acordo envolvendo Irã e Omã. O foco do mercado, na avaliação de Ole Hansen, do Saxo Bank, deslocou‑se para os esforços diplomáticos pela reabertura da via — mas o quadro físico segue longe do normal. Fontes diversas também registraram aumento do fluxo marítimo para algo entre 6 e 8 milhões de barris por dia, segundo a Bloomberg.
A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia contribuiu para elevar a preocupação: ataques a espaços aéreos europeus por drones e medidas como a suspensão de novas reservas ao porto de Novorossiysk pela MSC após um ataque a um navio mostraram impacto concreto nas rotas e na logística. No front diplomático e comercial, houve notícias sobre a relutância de Washington em retomar termos de um memorando com Teerã e possibilidade de sanções a bancos chineses com relações com o Irã, além de negociações sobre fatias do petróleo venezuelano para reservas estratégicas dos EUA.
O efeito econômico é direto: menos oferta líquida e risco de interrupções elevam os preços internacionais, pressão que tende a se transmitir a combustíveis e à inflação doméstica. Para governos e bancos centrais, o novo movimento reforça a necessidade de monitoramento, pois pressões adicionais sobre energia complicam metas de inflação e a agenda fiscal em ano de incertezas.