Os contratos de petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira após um pregão marcado por forte volatilidade. O barril de Brent avançou cerca de 1,3%, encerrando em US$89,22, depois de atingir máximas próximas de US$91,42 — o nível mais alto desde 11 de junho. O WTI dos EUA subiu aproximadamente 0,9%, para US$83,23, tendo alcançado picos de US$85,39 durante o dia.

O movimento nos preços refletiu a contraposição entre expectativas de retomada das negociações entre EUA e Irã e a escalada da violência na região. Nas últimas noites os Estados Unidos intensificaram ações militares, houve relatos de ataques a aliados no Golfo e, nesta segunda, os houthis do Iêmen anunciaram um bloqueio naval à Arábia Saudita, ampliando uma nova frente de risco ao tráfego marítimo.

Mediadores propuseram ao Irã um cessar‑fogo temporário de 10 dias para tentar reativar um acordo provisório, uma sinalização que aliviou, momentaneamente, temores sobre interrupções imediatas no fornecimento. Ainda assim, analistas apontam que a ameaça houthi ao Mar Vermelho e um eventual fechamento do Estreito de Ormuz colocariam em risco volumes significativos — a Rystad Energy estimou cerca de 2,5 milhões de barris por dia sob ameaça.

Há fatores que podem contornar uma escalada mais duradoura: a Kpler destacou que há uma quantidade recorde de petróleo em trânsito (cerca de 1,35 bilhão de barris), o que tende a moderar choques rápidos de oferta. Na prática, contudo, a combinação de tensão geopolítica e risco logístico eleva a incerteza para mercados e políticas domésticas, com potencial pressão sobre preços de combustíveis e inflação no curto prazo, exigindo vigilância por parte de governos e investidores.