Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta na sexta-feira (14), ampliando ganhos acumulados na semana em meio a renovada tensão no Oriente Médio. O WTI para setembro, negociado na Nymex, subiu 1,42% (US$ 1,15), encerrando a US$ 82,40 por barril; o Brent para outubro, na ICE de Londres, avançou 1,67% (US$ 1,45) e ficou em US$ 88,52. Na semana, o WTI valorizou 5,4% e o Brent, 5,95%.

A escalada tem raízes em ataques no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz. A agência Saba informou que forças do Iêmen atingiram instalações da Saudi Aramco em Najran com drone; na quinta, os houthis também teriam atacado uma refinaria em Jizan. A Aramco não se pronunciou por seus canais a investidores. Paralelamente, as negociações entre EUA e Irã para reabrir o estreito estão travadas, com autoridades americanas prometendo aumentar a pressão econômica e ameaças de bloqueio marítimo.

O ambiente geopolítico ficou ainda mais tenso após relatos de ataques a embarcações ligadas à Adnoc e a suspensão, por parte da Rússia, de exportações do terminal Sheskharis no Mar Negro, provocada por ataques de drones. Para analistas, como o do MUFG Soojin Kim, a ausência de um acordo duradouro sobre o estreito e as ameaças no Mar Vermelho mantêm um “prêmio geopolítico significativo” embutido nos preços.

Do ponto de vista econômico, a alta internacional tende a se refletir em pressões sobre preços de combustíveis e no processo inflacionário, o que complica a condução da política fiscal e monetária. A volatilidade sugere alerta para autoridades e investidores: enquanto as rotas marítimas permanecerem ameaçadas, o mercado seguirá precificando um risco maior — com impactos concretos no bolso do consumidor e na margem de manobra do governo.