Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira após novas declarações do presidente dos Estados Unidos indicando que não há prazo para o fim do conflito com o Irã. Por volta das 11h, o Brent avançava cerca de 1,3%, a US$ 103 o barril, rumo ao quarto dia consecutivo de ganhos; o WTI subia aproximadamente 1,2%, a US$ 94 o barril.

Analistas do Deutsche Bank apontaram que a ausência de negociações e medidas recentes — como o bloqueio americano a portos iranianos e a reivindicação da Guarda Revolucionária sobre apreensões de embarcações — levaram o mercado a precificar um conflito mais prolongado e um fechamento mais duradouro do Estreito de Ormuz, rota crítica para o transporte de petróleo.

O efeito nas praças financeiras foi imediato: os principais índices americanos operavam em baixa nesta sessão, revertendo parte de ganhos anteriores alcançados na quarta-feira, quando notícias sobre um possível cessar‑fogo temporário haviam impulsionado recordes. Bolsas europeias e mercados asiáticos também registraram fraquezas ou ganhos tênues diante do aumento da aversão ao risco.

Para a economia brasileira, uma alta sustentada do petróleo tem consequências concretas. Elevações no preço Brent tendem a repercutir nos valores domésticos de gasolina e diesel, pressionando a inflação e reduzindo margem para o combate a choques de preços sem impacto fiscal. Além disso, custos maiores de importação de derivados podem deteriorar o saldo externo em um momento de fragilidade para a conta corrente.

Politicamente, o movimento complica a narrativa de recuperação econômica e aumenta a pressão sobre a equipe econômica para medidas de contenção e proteção social caso o repasse aos preços seja expressivo. Investidores e formuladores de política fiscal e monetária seguirão de perto a evolução do conflito: um cenário prolongado amplia a volatilidade e exige ajuste de estratégia por parte do governo.