O petróleo encerrou a semana com ganhos próximos a 10% pressionado pela escalada de conflitos no Oriente Médio, mas fechou em queda na sexta-feira num movimento de realização de lucros e reação a notícias diplomáticas. Na Nymex, o WTI para setembro caiu 3,12%, a US$ 89,31 o barril; em Londres, o Brent para setembro recuou 3,88%, a US$ 96,78, enquanto o contrato mais líquido do Brent (outubro) caiu 2,74%, a US$ 91,68.
A commodity havia atingido na quinta o patamar de US$ 100 por barril, o maior em dois meses, ante a continuidade das ações militares no Golfo Pérsico. Fontes do mercado destacam que a combinação entre realização de lucros e melhora no tráfego pelo estreito de Bab-el-Mandeb ajudou a frear a alta. Ao mesmo tempo, notícias de que o Paquistão, com apoio da China, busca reabrir negociações entre Estados Unidos e Irã reduziram temporariamente o prêmio de risco embutido nos preços.
Apesar do recuo pontual, analistas seguem alertas para a possibilidade de preços sustentadamente mais altos caso o conflito se prolongue. A retórica de escalada, somada a restrições logísticas, mantém o risco de oferta elevado — cenário que tende a pressionar inflação, elevar custos de combustíveis e energia, e reduzir espaço fiscal em economias já sensíveis a choques de preços.
No curto prazo, os mercados permanecerão voláteis: investidores monitorarão avanços diplomáticos entre EUA e Irã, movimentos navais em rotas cruciais e declarações de governos que influenciam demanda e oferta. Para formuladores de política, o desafio é calibrar respostas econômicas diante de um choque que tem efeitos concretos sobre preços ao consumidor e competitividade industrial.