O petróleo voltou a romper a marca dos US$ 110 por barril nesta terça-feira (28), numa clara reação dos mercados ao temor de restrições no tráfego pelo Estreito de Ormuz. No pregão, contratos do Brent subiram cerca de 2,6% e chegaram a US$ 104 por barril por volta do meio-dia; no início das negociações, futuros para junho tocaram US$ 111. O WTI, referência americana, negociava perto de US$ 99, com alta superior a 3%.
Operadores e estrategistas atribuem o movimento sobretudo à escassez física de oferta, não apenas ao noticiário político. Neil Wilson, do Saxo, destacou que a atenção dos investidores está voltada para o que ocorre nas rotas marítimas; a percepção de menor fluxo de carga tende a apertar prêmios e a acelerar compras de defesa de estoques.
No front diplomático, fontes disseram à imprensa que Washington demonstrou relutância diante da proposta iraniana que previa reabrir o Estreito deixando questões nucleares para fases posteriores. Analistas do Jefferies e do Deutsche Bank alertam que o prolongamento do impasse amplia o risco de impacto negativo sobre a economia global e mantém os mercados acionários sob pressão ou com desempenho contido.
As consequências práticas vão além dos mercados de energia: preços mais altos elevam custos de combustíveis, pressionam indicadores de inflação e podem aumentar pressões sobre contas públicas, especialmente em países importadores de petróleo. Para formuladores de política monetária e fiscal, o cenário complica escolhas já sensíveis, porque prêmios persistentes sobre o petróleo tendem a reduzir espaço para manobras sem custo político.
Em resumo, a ausência de avanço nas negociações no Estreito de Ormuz transformou um risco geopolítico em fator tangível de aperto no mercado de petróleo. Se a situação se prolongar, investidores e governos terão de recalibrar previsões e estratégias, com impactos concretos sobre inflação, crescimento e a dinâmica dos mercados financeiros.