Os preços do petróleo subiram com força nesta quarta-feira após relatos de ataques a navios porta‑contentores em águas próximas ao Estreito de Ormuz. Por volta das 11h15, o Brent avançava cerca de 2% e alcançava a marca de US$100 por barril; o WTI, referência americana, seguia acima de US$91, com alta superior a 2%.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que duas embarcações foram alvejadas e atribuiu um dos ataques à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã; as tripulações teriam permanecido em segurança. O episódio ocorreu poucas horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter estendido um cessar‑fogo para ganhar tempo às negociações de paz.

Analistas apontam o contraste entre a prorrogação do cessar‑fogo e as ações no mar como sinal de fragilidade do acordo. Mohit Kumar, economista‑chefe para a Europa do banco Jefferies, avaliou que, ainda que haja interesse em um acordo, os preços dificilmente voltarão aos níveis pré‑guerra e podem se estabilizar entre US$75 e US$80 nos próximos meses. A estrategista Emma Wall observou que os mercados pesam a notícia positiva do cessar‑fogo contra o fato de o Estreito de Ormuz permanecer comprometido.

A alta até US$100 reacende riscos imediatos para oferta e cria pressão inflacionária global, com impactos diretos sobre custos de energia, transporte e bens importados. Para governos e bancos centrais, trata‑se de um complicador — especialmente para políticas fiscais e monetárias já apertadas. No plano político, o episódio expõe a limitação do cessar‑fogo e pode forçar mudanças de estratégia nas negociações e nas medidas de segurança marítima.