Os preços do petróleo retomaram movimento de alta nesta terça-feira, com o Brent sendo negociado perto de US$ 98 e alcançando máxima próxima de US$ 100, enquanto o WTI ultrapassou a casa dos US$ 92 no pregão. A reação foi impulsionada pela deterioração das perspectivas de cessar‑fogo entre EUA e Irã, após declarações do presidente norte‑americano sobre a possibilidade de retomar ataques caso não haja acordo até a noite de quarta‑feira.

O episódio teve desdobramentos concretos no campo: o Irã voltou a impor restrições à passagem pelo Estreito de Ormuz e houve registros de confrontos navais, incluindo um vídeo divulgado pelo Comando Central dos EUA que mostra disparos contra um cargueiro iraniano. Parlamentares e diplomatas americanos também adiaram agendas — um sinal de que negociações ficaram mais fragilizadas no curto prazo.

Analistas ouvidos no mercado atribuem a alta a esse aumento do risco‑geopolítico no Golfo e ao fim iminente do cessar‑fogo, que, se rompido, tende a elevar ainda mais o prêmio pelo risco de oferta. No plano doméstico, cotação mais alta do petróleo tem efeito direto sobre combustíveis e conta na inflação, ao mesmo tempo em que pressiona a já limitada margem fiscal para eventuais subsídios.

Para governos e bancos centrais, o movimento complica decisões de política econômica: além de elevar a inflação medida, um choque persistente de petróleo pode obrigar a reavaliar trajetória de juros e despesas públicas. Na prática, a volatilidade atual amplia incertezas para cadeias produtivas, consumidores e para a própria estratégia econômica do executivo.