O Monitor do PIB do Ibre/FGV apontou avanço de 0,7% em maio na comparação com abril. Na base anual, a atividade cresceu 1,2% frente a maio de 2025; a taxa acumulada nos últimos 12 meses ficou em 1,7%. Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 5,466 trilhões até maio, e a taxa de investimento foi de 18,6% no mês.
A leitura setorial mostra que agropecuária e serviços contribuíram positivamente, enquanto a indústria permanece praticamente estável — cenário que, segundo a coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre, revela fragilidades na composição do crescimento. O movimento do setor agro vem após uma sequência de retrações, o que reduz a solidez do ganho.
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias foi o principal responsável pelo resultado mensal e pelo desempenho do trimestre móvel. Ao mesmo tempo, exportações e investimentos recuaram no confronto mensal, reforçando a dependência do consumo doméstico. No trimestre encerrado em maio, contudo, a FBCF subiu 2,0% e as exportações avançaram 4,3%, enquanto as importações cresceram 8,9%, puxadas por telecomunicações, computação e automóveis.
O quadro combina sinais positivos com riscos claros: crescimento centrado em consumo tende a ser menos sustentável e mais sensível a choques domésticos. Para sair da dependência do gasto das famílias e recuperar dinamismo industrial será necessário reverter a estagnação dos investimentos e ampliar a tração externa — caso contrário, o avanço observado corre o risco de ser momentâneo.