O Produto Interno Bruto brasileiro avançou 1,1% no primeiro trimestre, segundo dados do IBGE, com alta em agropecuária (2%), indústria (1,0%) e serviços (0,5%). Em valores correntes o agregado alcançou R$ 3,3 trilhões. O resultado celebra uma reação da atividade econômica no início do ano, mas carrega sinais contraditórios que ganham atenção entre economistas e mercados.
O impulso veio sobretudo do consumo: a Despesa de Consumo das Famílias cresceu 1,7% no trimestre. Analistas consultados atribuem parte desse ganho a medidas pontuais de suporte à renda — isenção do IR, valorização do salário mínimo, programas de renegociação (Desenrola 2.0) e subsídios energéticos ligados ao choque externo. Esse mix elevou a demanda interna, ajudando resultados imediatos, mas com custo fiscal.
A elevação da dívida pública bruta em 0,4% no período é o principal efeito colateral apontado. Para o FGV Ibre, o aumento do endividamento e a maior pressão sobre a demanda reduzem o espaço de manobra do Banco Central para acelerar cortes da Selic. G5 e Daycoval também esperam afrouxamento mais lento: cortes modestos a partir de junho, com possibilidade de pausa até o fim do ano se o consumo seguir aquecido.
Além disso, há sinais estruturais que limitam otimismo: a taxa de investimento segue baixa (16,5% do PIB), exportações recuaram enquanto importações saltaram 4,4%, e a indústria se apoia em segmentos menos sensíveis à política monetária. Em resumo, o primeiro trimestre consolida recuperação momentânea, mas as consequências fiscais e o quadro externo (guerra no Oriente Médio, El Niño) apontam para desaceleração nos próximos trimestres e para um espaço mais estreito para cortes de juros.