O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos acelerou para uma taxa anualizada de 2,0% no primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Departamento de Comércio. No trimestre anterior (outubro a dezembro), o crescimento havia desacelerado para 0,5%, quando a contração dos gastos federais retirou 1,16 ponto percentual do PIB — a maior contribuição negativa desde o primeiro trimestre de 1994.

Economistas consultados pela Reuters esperavam uma alta média de 2,3%, com previsões variando de contração de 0,2% até crescimento de 3,9%. A leitura mostra que grande parte do avanço recente veio de uma reversão parcial nos cortes de gastos do governo. Também contribuíram os investimentos em equipamentos, alimentados por um boom ligado à inteligência artificial e à construção de data centers. Ao mesmo tempo, o motor tradicional da economia americana — o consumo das famílias — registrou nova perda de ritmo.

O quadro sustenta a expectativa de que o Federal Reserve deve manter as taxas de juros estáveis, hipótese reforçada após a decisão do banco central de deixar a taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75%. Os formuladores de política têm enfatizado a necessidade de observar o mercado de trabalho: se este se mantiver firme, o Fed tende a postergar cortes. Mas, como a alta do PIB foi amplamente financiada por gasto público temporário, a solidez da recuperação permanece questionável.

Do ponto de vista político e macroeconômico, a dependência do impulso fiscal parcial expõe volatilidade nas contas públicas e complica a narrativa de uma retomada sustentada pelo consumo. Para analistas e mercados, o sinal é claro: sem reação consistente do consumo, a economia americana pode enfrentar mais episódios de incerteza que exigirão decisões difíceis entre estímulo e controle inflacionário.