O anúncio do avanço de 1,1% do PIB no primeiro trimestre, divulgado pelo IBGE, reacende a discussão sobre o desempenho econômico do país. Embora os bons números do mercado de trabalho e a atividade mais aquecida indiquem recuperação conjuntural, o indicador que mede a produção por habitante continua a mostrar um quadro mais preocupante: o PIB per capita cresce bem menos do que em países desenvolvidos desde os anos 1980.

Dados do FMI compilados para o período 1980–2025 ilustram a diferença: enquanto a renda média global por pessoa saltou de cerca de US$ 3.300 para pouco mais de US$ 26.000, o Brasil saiu de US$ 4.400 para cerca de US$ 23.300. O número expõe que o crescimento agregado não se traduziu em aproximação consistente ao padrão das economias avançadas — e que choques como a recessão de 2015‑2016 aprofundaram a perda de ritmo.

Economistas consultados pelo material-base apontam causas recorrentes: baixa produtividade, investimento insuficiente e um ambiente tributário e regulatório complexo. A quebra do ritmo a partir dos anos 1980, associada à crise de transição e à hiperinflação, deixou sequelas estruturais que ainda limitam o potencial de crescimento sustentado. A avaliação é que o país tem um 'espaço para crescer' mais amplo, mas esbarra em obstáculos internos.

No plano político e fiscal, o diagnóstico é claro: sem consolidação das contas públicas e previsibilidade, decisões de investimento ficam postergadas e a capacidade de ação estatal se deteriora. Intervenções seletivas e distorções na política econômica também aumentam riscos institucionais e abrem margem para ineficiências. A lição das economias que avançaram além da faixa de renda média é prática: combinar educação e capital humano com reformas estruturais e gestão fiscal responsável.

O quadro atual exige uma agenda de políticas que misture curto prazo e estrutura: consolidar finanças públicas, simplificar o ambiente tributário, elevar investimentos privados e públicos em produtividade e qualificação, e dar sinal claro de estabilidade institucional. Sem isso, a leitura é que o crescimento observado pode ser episódico — um alívio conjuntural que não elimina o custo político e econômico de décadas de baixo avanço da renda por habitante.