O Produto Interno Bruto (PIB) do setor de Transporte, Armazenagem e Correio registrou alta de 1,1% no segundo trimestre de 2026 em relação ao primeiro, interrompendo duas quedas consecutivas, segundo o Boletim de Conjuntura Econômica de setembro da CNT. Na comparação com o mesmo período de 2025, o avanço foi de 1,2%, e o acumulado do primeiro semestre aponta alta moderada de 0,9%. O resultado dá fôlego momentâneo, mas não elimina vulnerabilidades estruturais.

O volume dos serviços de transporte cresceu 0,4% em julho ante junho (série com ajuste sazonal), mas segue pressionado no acumulado de janeiro a julho, com queda de 1,4% frente ao ano anterior. Os modais mostram desempenho desigual: o transporte terrestre cresceu 1,2% no acumulado até julho, enquanto o aéreo caiu 13,3% no mesmo período. O transporte aquaviário, apesar de ainda acumular retração no ano, alcançou em julho o maior nível de sua série histórica, sinalizando heterogeneidade na recuperação.

Do lado dos custos, a CNT destaca aumentos relevantes: o óleo diesel subiu 13,35% em 2026 até agosto (12,88% em 12 meses), óleo lubrificante avançou 12,06% no ano e pedágios subiram 4,25%. A diretoria executiva da entidade observa que a melhora trimestral ocorreu em meio a custos operacionais elevados e a condições de crédito ainda restritivas para as empresas do setor. Esse cenário reduz a capacidade de renovar frotas e ampliar investimentos, limitando a sustentabilidade da retomada.

A leitura política e econômica é clara: a alta trimestral é positiva, mas insuficiente para decretar virada. A combinação de demanda doméstica moderada, elevação de custos e crédito caro tende a pressionar margens, elevar tarifas de frete e transferir custos aos consumidores, além de aumentar o apelo do setor por medidas de suporte — num momento em que a gestão fiscal do país dificulta grandes intervenções. A CNT e os agentes de mercado acompanharão os próximos meses para checar se a recuperação se consolida ou volta a perder força.