As bolsas europeias abriram em alta na manhã desta quinta-feira após números do Produto Interno Bruto da zona do euro no segundo trimestre superarem expectativas. O PIB avançou 0,4% ante o trimestre anterior, acima da previsão de 0,1%, e o índice pan‑europeu Stoxx 600 registrava alta de 0,56%, a 648,61 pontos, por volta das 6h40 (de Brasília). O resultado indica uma resiliência inesperada, mesmo com os efeitos das hostilidades no Oriente Médio.
O rali foi acompanhado por balanços corporativos melhores do que o esperado: Air France‑KLM subiu 2,8%, Lloyds avançou 1,8%, Anglo American ganhou 2% e Shell teve alta de 0,8%, enquanto a AB InBev recuou 1,5%. Indicadores regionais também fecharam no azul: Londres +0,41%, Paris +0,95%, Frankfurt +0,09%, Milão +0,11%, Madri +1,25% e Lisboa +1,45% (cotações citadas às 6h54, horário de Brasília).
No radar dos investidores está a decisão do Banco da Inglaterra, com expectativa de manutenção da taxa em 3,75%. A conjuntura é agravada pelo recente salto do petróleo após a escalada entre EUA e Irã, e pelo sinal dado ontem pelo Federal Reserve, que manteve os juros mas registrou três votos a favor de alta de 25 pontos‑base — elementos que podem limitar margem de manobra para afrouxamento monetário.
Do ponto de vista prático, o dado robusto do PIB favorece os mercados no curto prazo, mas complica a narrativa de desinflação e amplia risco de aperto futuro. Para governos e autoridades monetárias, a combinação de crescimento inesperado, tensões geopolíticas e inflação pressionada por energia impõe maior vigilância: a boa notícia das bolsas tem custo potencial na trajetória dos juros e no fôlego para políticas fiscais menos rigorosas.