O volume de transações via Pix entre pessoas e empresas ultrapassou, no segundo semestre de 2025, o total das operações entre pessoas físicas, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central divulgado nesta segunda-feira (25). Em dezembro, 44,4% das transações Pix registradas pelo BC ocorreram entre pessoas e empresas, ante 42,4% em junho do ano anterior. As transferências entre pessoas físicas recuaram no mesmo período, correspondendo a 42,4% do total em dezembro (eram 44,5% em junho).

O relatório também destaca que o Pix alcançou 29% do total dos pagamentos do varejo no segundo semestre de 2025, enquanto o volume de operações por meio da ferramenta cresceu 21,6% no período. Esses números evidenciam uma mudança de comportamento: o Pix deixa de ser predominante apenas em transações pessoa a pessoa e consolida papel relevante nas vendas ao consumidor final.

Para o mercado, a migração de pagamentos para o ambiente instantâneo pode pressionar modelos de receita tradicionais de adquirentes e bandeiras de cartão, além de testar a capacidade de adaptação de bancos e fintechs. A velocidade e a robustez do sistema também aparecem no relatório: 99% das transações foram processadas pelo Sistema de Pagamentos Instantâneos em 0,449 segundos, um indicador de confiabilidade operacional que favorece a adoção por lojistas.

Do ponto de vista regulatório e fiscal, a ampliação do uso do Pix no varejo exige atenção: crescimento maior nas transações com empresas reforça a necessidade de ajustes em monitoramento, compliance e, possivelmente, na política de tarifas e competição entre provedores. Para governos e agentes do setor privado, a tendência indica tanto oportunidade de eficiência quanto desafio para modelos de negócio estabelecidos.