O segundo Relatório de Gestão do Pix, divulgado pelo Banco Central, registra avanço de 25,7% no número de transações em 2025 frente a 2024, totalizando perto de 80 bilhões de operações. No mesmo período, o volume financeiro cresceu 33,8%, ultrapassando R$ 35 trilhões — sinal de expansão tanto da escala quanto do uso em transações de maior valor agregado.
O documento destaca uma mudança estrutural na composição do uso: pagamentos de pessoas físicas a pessoas jurídicas representaram 43% das transações em 2025, quatro pontos percentuais acima de 2024 e 37 pontos a mais do que em 2020. Esse deslocamento indica que o Pix deixou de ser ferramenta majoritariamente de transferências entre indivíduos para se tornar um meio de pagamento relevante para o varejo.
A análise por faixas de valor mostra predominância de pequenos valores: 59% das transferências entre pessoas físicas ficaram em até R$ 60, e 76% das remessas a empresas também estiveram nessa faixa. Agregadamente, 71% das transações foram de até R$ 100. Para o Banco Central, o movimento reflete maturidade da infraestrutura e vantagens percebidas pelo comércio, como rapidez no recebimento e redução de custos.
Além das oportunidades para eficiência do varejo e inclusão de pequenos recebedores, o crescimento do Pix levanta desafios de governança, supervisão e resiliência operacional da infraestrutura pública digital. O avanço reforça a centralidade do sistema de pagamentos na economia, ao mesmo tempo em que exige atenção contínua do regulador para evitar riscos sistêmicos e preservar a confiabilidade do serviço.