A economista Elena Landau classificou como fraco o atual plano de reestruturação dos Correios, que encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e registrou queda de 11% na receita bruta em relação ao ano anterior. Em entrevista ao CNN Money, Landau afirmou que as medidas anunciadas não enfrentam os problemas estruturais da estatal nem têm ritmo capaz de conter a deterioração financeira. A percepção de insuficiência resume-se, segundo ela, ao contraste entre a dimensão do rombo e a natureza tímida das ações propostas.
Entre as fragilidades apontadas está o descasamento entre passivos acumulados — incluindo quase R$ 1 bilhão apenas em juros — e o conjunto de medidas que avança de forma lenta. Landau alertou para o impacto dos empréstimos contratados com garantia do Tesouro Nacional: se a estatal não tiver capacidade de pagar, o esforço poderá transformar-se em despesa futura para o setor público. A venda de imóveis e o PDV, aceitáveis em teoria, ficaram aquém do necessário para equilibrar as contas no curto prazo.
Além do risco fiscal, a crítica incide sobre a ausência de um projeto claro para o futuro da empresa em um mercado marcado por concorrência e avanços tecnológicos. Para Landau, falta definir se os Correios manterão o foco no serviço postal universal, se abrirão mão de áreas de atuação, ou se parte do negócio será delegada ou concedida — opções compatíveis com a Constituição, mas que exigem decisões políticas e regulatórias firmes. Sem esse plano estratégico, o ajuste tende a ser cosmético e a descolar-se da exigência de viabilidade operacional.
O diagnóstico coloca uma pressão política direta sobre o governo: medidas lentas e dependência crescente de garantias públicas podem ampliar o custo político e fiscal da solução. Se o objetivo for evitar que a estatal vire mais um encargo para o Tesouro, será preciso acelerar reformas, definir papéis e abrir um debate transparente sobre alternativas — da reestruturação interna à concessão parcial — antes que o problema vire uma bola de neve mais onerosa para o contribuinte.