O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) 2027 manteve a meta de superávit primário em 0,5% do PIB — R$ 73,2 bilhões —, mas a proposta já nasce com críticas de economistas que a consideram pouco crível. Consultorias e especialistas ouvidos apontam que o resultado anunciado depende fortemente de ajustes contábeis e de hipóteses macroeconômicas favoráveis.

Um ponto central das críticas é a exclusão de 0,45% do PIB (R$ 65,7 bilhões) referente a precatórios e outras despesas, medida que reduz o resultado efetivo para cerca de 0,05% do PIB (R$ 8 bilhões). Para estabilizar a relação dívida/PIB, dizem os analistas, seriam necessários superávits bem maiores — na ordem de 2% do PIB — e reformas estruturais consistentes.

Além das manobras contábeis, o plano do governo assume um crescimento do PIB de 2,56% para 2027 e inflação pouco acima de 3%, premissas mais otimistas que a mediana do mercado: o boletim Focus mantém projeção de 1,8% para o PIB e IPCA de 3,91%, com expectativa de déficit em torno de 0,4% do PIB. Especialistas alertam que contar com arrecadação adicional sem mudanças profundas na base tributária é politicamente difícil.

O diagnóstico é claro: sem medidas de ajuste estrutural — incluindo reformas que mexam em despesas obrigatórias — as metas perdem credibilidade, elevam o risco de frustração e podem pressionar custos de financiamento no futuro. Instituições internacionais também apresentam cenários discordantes sobre a trajetória da dívida, o que reforça a necessidade de um plano fiscal mais realista e transparente.