O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2027 desenha um quadro fiscal de elevação da dívida pública nos próximos anos, com o pico da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) previsto em 87,8% do PIB em 2029. A trajetória mostra 87,3% em 2028 e 87,5% em 2030, antes de iniciar uma redução gradual que, segundo o governo, levaria o indicador a cerca de 83,4% do PIB em 2036. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) segue o mesmo movimento de alta no curto prazo, alcançando 73,3% em 2027 e chegando a aproximadamente 76,1% em 2029.
A explicação oficial para a estabilização posterior passa pela geração de superávits primários: 0,5% do PIB em 2027, 1% em 2028 e 1,5% a partir de 2030. Mas o documento também mostra que as despesas primárias continuam em expansão, saindo de cerca de R$ 2,76 trilhões em 2027 para R$ 3,07 trilhões em 2029 e R$ 3,26 trilhões em 2030. A Previdência é a maior fonte de pressão, com gastos projetados de R$ 1,20 trilhão em 2027, R$ 1,36 trilhão em 2029 e R$ 1,45 trilhão em 2030. As despesas discricionárias ficam mais contidas, passando de R$ 264 bilhões para R$ 294 bilhões no mesmo horizonte.
O diagnóstico do PLDO tem implicações políticas claras: o próximo governo herdará um perfil de dívida elevado e espaço fiscal mais restrito. A projeção de redução da relação dívida/PIB depende do cumprimento das metas de superávit; sem elas, a trajetória fiscal pode se manter em patamares que limitam investimentos e ampliam custos com juros. Em termos práticos, isso significa pressão por ajustes nas contas públicas — seja via reformas, revisão de benefícios ou cortes em despesas discricionárias — medidas que tendem a ser politicamente sensíveis.
O PLDO funciona como referência para o Orçamento de 2027 e, portanto, deveria abrir o debate público sobre prioridades e trade-offs. A leitura do documento revela que a sustentabilidade fiscal proposta pelo governo exige disciplina persistente e escolhas claras. Sem sinalizações mais robustas de ajuste estrutural, o país pode enfrentar janelas menores para políticas contracíclicas e um custo político maior na hora de reduzir a trajetória da dívida.